Um tumor que aparece quando a divisão normal das células está fora de controle, e estas células seguem se dividindo de modo contínuo sem parar. O câncer de mama não é uma doença única, existe uma grande variedade e tipos de câncer de mama, por exemplo, o mais freqüente deles é o carcinoma ductal que responde por 70% dos tumores de mama, seguido pelo carcinoma dos lóbulos de mama em aproximadamente 10%-15% dos casos registrados. Os tumores ductal e lobular podem ser localizados, e se não tratados podem ou não progredir para tumores metastáticos (disseminados pelo corpo), estendendo-se para os tecidos vizinhos à glândula mamária.
No Brasil, o câncer de mama é uma das mais comuns causas de morte entre as mulheres de 35-54 anos e é o tumor que mais causa mortes entre as mulheres. Por ano no Brasil em torno de 49.400 novos casos de tumor de mama são diagnosticados, e cerca de 13.000 pacientes morrem em virtude destes tumores. De 51 mulheres em cada 100 mil, serão diagnosticadas com câncer de mama ao longo de suas vidas e 75% destas mulheres estarão na fase de pós-menopausa (fase que se segue quando cessa a menstruação).
Acredita-se que entre 5-10% dos tumores de mama envolvem fatores hereditários. As mulheres sem filhos ou com a primeira gestação tardia (acima dos 30 anos) são mais propensas a desenvolver o câncer de mama. O risco aumenta com início precoce da menstruação. A exposição a doses significativos da radiação (ex: Raio X) aumenta a incidência do câncer de mama. O tabaco também tem um papel importante na formação de tumores de mama.
Um nódulo ou engrossamento do tecido da mama ou da axila são os primeiros sintomas em 80-90% dos tumores de mama. Outros sintomas incluem enrugamento do tecido mamário, descamação, sangramento do mamilo, dor na mama, mudança no tamanho ou na forma. Se alguns destes sintomas forem observados por você, procure um médico para esclarecimento.
Aproximadamente somente 1 em 9 nódulos da mama vistas por um especialista, tem relação com tumores malignos de mama. Para cada 9 mulheres com nódulos tumorais, 5 ou 6 podem ser tratados inicialmente apenas com a remoção parcial de tecido mamário.
As mamografias são simplesmente raios X das mamas. São os mais eficazes em detectar o câncer de mama nas mulheres acima dos 50 anos. O tecido da mama de mulheres mais jovens (< 40 anos) é geralmente muito denso para permitir que os tumores sejam detectados, nestes casos deve-se utilizar a ultra-sonografia mamária. Todas as mulheres acima dos 50 anos devem submeter-se ao exame de mamografia a cada 2 ou 3 anos, a critério do especialista.
As opções de cirurgias para o tumor de mama, são na grande maioria dos casos a mastectomia radical (retirada total da mama), e a cirurgia conservadora, que é a retirada da parte comprometida, geralmente o quadrante afetado (quadrantectomia).
A cirurgia conservadora que remove o nódulo ou o quadrante da mama, é oferecida a mulheres com tumores pequenos. Se o tumor for demasiado grande ou espalhado pela mama, a mastectomia radical será mais apropriada. A cirurgia é seguida usualmente por terapias adjuvantes (complementares) para reduzir ou até mesmo eliminar eventuais células residuais do câncer.
A Mastectomia radical e a cirurgia conservadora são em geral acompanhadas da retirada total ou parcial de gânglios da axila do lado da mama afetada, isto para evitar o risco de deixar células do tumor nestes gânglios.
A radioterapia é administrada geralmente no pós-operatório junto às regiões da mama e às vezes nas regiões das axilas. A duração varia de 3-6 semanas ou mais, com as pacientes recebendo geralmente uma dose por dia, cinco dias por semana. Os efeitos colaterais da radiação podem ser “vermelhidão” e leve desconforto na área irradiada. A maioria das pacientes pode esperar permanecer bem durante todo o tratamento de radioterapia.
O estrogênio é um hormônio feminino normalmente produzido pelos ovários, entretanto as células do câncer de mama podem utilizá-lo como “combustível” fazendo com que o tumor cresça de modo acelerado em contato com este hormônio. O Tamoxifeno é um medicamento que impede que o estrogênio seja utilizado pelo câncer de mama, ou seja, é uma terapia hormonal que priva as células tumorais de estrogênio. É especialmente eficaz em pacientes na fase de pós-menopausada. Os efeitos colaterais são poucos, mas podem incluir a irritação vaginal, náusea ocasional e sintomas parecidos aos da menopausa, por exemplo: fogachos (calores), e menstruação irregular. O Tamoxifeno é prescrito geralmente por 5 anos de tratamento.
A testosterona e a androstenediona apesar de serem hormônios ditos masculinos, estão presentes também nas mulheres em níveis abaixo dos observados em homens. Nas mulheres após a menopausa quando os ovários diminuem muito a produção de estrogênio, o organismo lança mão destes hormônios (testosterona e androstenediona) convertendo-os em estrogênio na glândula supra-renal com a ajuda de uma enzima chamada aromatase.
No combate ao câncer de mama, o bloqueio do estrogênio é importante, e em muitos casos o uso destes medicamentos, ajuda significativamente o combate da doença e também na prevenção de uma possível recaída. Os inibidores da aromatase podem ser utilizados de modo isolado ou após o uso de tamoxifeno. O tempo de utilização destes medicamentos é variável, pode ser de 5 anos ou por um período menor quando empregados após a utilização do tamoxifeno.
Trata-se de um medicamento que pode ser utilizado pelas pacientes que apresentam uma determinada característica nas células de seu tumor de mama, esta característica é a presença de um receptor específico na membrana da célula tumoral chamada de receptor HER2. O trastuzumabe pode bloquear estes receptores e com isso combater a doença. Em média 25% dos tumores de mama apresentam este receptor, e caso ele não esteja presente, não há benefício em utilizar-se o medicamento em nenhuma fase do tratamento.
São drogas que atacam e destroem células do câncer por todo o corpo (sistêmicas). A grande maioria das pacientes em fase de pré-menopausa abaixo dos 50 anos, precisarão receber a quimioterapia após a extração de um tumor de mama, o tratamento usualmente terá de 6 a 8 ciclos de quimioterapia, nos quais duas ou mais drogas de quimioterapia serão combinadas. Os ciclos são aplicados a cada 21-28 dias. O tratamento de quimioterapia dura em média 5-6 meses.
A quimioterapia aumenta a chance de cura das pacientes cujo câncer atingiu os gânglios linfáticos das axilas, ainda que para casos onde os gânglios não estejam afetados haja também a indicação do uso da quimioterapia, levando-se em conta outros fatores de risco de recaída.
Os efeitos colaterais possíveis incluem a interrupção ou a cessação da menstruação, e com início a possibilidade de menopausa. Também cansaço, náuseas, perda dos cabelos, úlceras na boca, perda do apetite e diarréia.
Todas as mulheres submetidas a mastectomia radical (retirada total da mama), são candidatas a uma prótese mamária, e a reconstrução plástica da mama.
Algumas técnicas foram desenvolvidas para garantir um melhor aspecto estético após a retirada da mama por um câncer. Entre 25-50% das mulheres que são submetidas à mastectomia radical, poderão submeter-se a este procedimento cirúrgico de reconstrução mamária. A reconstrução mamária poderá ser feita imediatamente após a mastectomia radical, contudo existem casos nos quais há que se esperar um intervalo maior de 1 a 2 anos entre a mastectomia radical e a reconstrução de mama.
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